
Caso Mário
Sérgio Gabardo


Mário
Sérgio Gabardo um jovem de 20 anos, estudante de direito, filho único de Sérgio
Gabardo foi assassinado no dia 29/09/2005, vítima de assalto na cidade de
Canoas - RS. Embora seu pai tenha feito o possível e o impossível para ter uma
resposta até hoje nada foi feito para encontrar quem o matou. Reproduzo
aqui uma carta deste pai, como uma forma de homenagem a memória deste
jovem que eu não conheci em vida, mas passei a conhecer através da luta de seu
pai, um herói brasileiro que merece toda nossa admiração e respeito pela
maneira firme e incansável que vem lutando para encontrar uma resposta para a
pergunta: Quem
matou Mário Sergio Gabardo?
Elizabeth
Metynoski

Senhoras
e Senhores:
Dois
anos se passaram desde o brutal assassinato de meu, então, único
filho Mário, aos 20 anos. Foi na noite de 29 de setembro de 2005. Mário
estaria se formando advogado no final deste ano.
Desde
esse dia, a dor é intensa e as lágrimas constantes. Brotam
inesperadamente. A saudade aumenta a cada instante, enquanto o autor do
disparo que vitimou Mário, continua à solta, fazendo novas vítimas,
certamente.
Sinto-me
sozinho na luta pela busca de justiça, que é o mínimo que devo ao meu
filho Mário.
Mas
frente ao absoluto, total e hediondo descaso dos órgãos de segurança pública,
tenho a forte impressão de que essa promessa de Justiça que fiz sobre o
corpo do meu filho, não poderei cumprir, se depender do Estado falido
inclusive institucionalmente.
Conto
com o apoio, a compreensão e o amparo de amigos fiéis, sem o que jamais
teria força suficiente para dar prosseguimento à minha vida.
Até
agora, passados 24 meses, nosso Estado comprova toda a sua vulnerabilidade
diante dos criminosos. Impotente em vários setores, mas com ênfase na
segurança pública.
Quanta
inoperância, descaso e insensibilidade com a dor de uma família inteira
destroçada por bandidos que prosseguem sua trajetória criminosa, gozando
da liberdade imposta pela impunidade fomentada pela incompetência
oficial.
Pergunto-me:
por quê será que não conseguem descobrir os assassinos? Não só os do
meu filho, como os de outros tantos que acontecem todos os dias? É falta
de pessoal, dizem alguns. É falta de equipamentos, afirmam outros. É
falta de estrutura, tentam justificar outros tantos.
Mas
para mim é falta de vontade. Falta o estímulo para cumprirem com suas
obrigações. Não se trata de favor algum, e sim de obrigação.
Sou,
como tantos outros pais que estão na mesma situação, um cidadão de
bem, pagador das minhas obrigações fiscais, e não recebo a retribuição
que o Governo, no mínimo, teria de me dar, apontando os assassinos e os
encaminhando para serem julgados no Judiciário.
Insensíveis
são essas autoridades com a dor e o sofrimento de um pai que vive em
sociedade.
A
ferida aberta no meu coração e no da minha esposa, na noite de 29 de
setembro de 2005, jamais cicatrizará. Às vezes, surpreendo-me olhando
para ela sem ter o que dizer-lhe para diminuir sua dor. O que posso fazer
para aliviar a dor que está presente em todos os instantes da nossa vida?
Mas
quem se importa? A secretaria de Segurança? O Ministério Público? O
Poder Judiciário?
Não!
Porque certamente os chefes desses órgãos nunca passaram por situação
idêntica. Não sabem o que é isso.
Atrevo-me
a dizer que isso ocorreu com o meu filho e continua ocorrendo com tantos
outros jovens como ele porque falta coragem a nossas autoridades em
assumir sua impotência diante do poder dos bandidos, tão seguros que estão
de permanecerem impunes. Estão, quem sabe, amedrontados e preferem enviar
os inquéritos com os dizeres "sem solução" a enfrentá-los.
Quem
me dera ter coragem de passar por cima dessas autoridades e fazer Justiça
por mim mesmo, buscando os responsáveis pela morte de meu filho. Mas como
cidadão de bem que sou, provavelmente seria punido, ao contrário do que
ocorre do outro lado: o dos bandidos.
Já
encaminhei milhares de correspondências eletrônicas para essas tais
autoridades, inclusive para o ministro da Justiça, nosso conterrâneo
Tarso Genro. Mas tudo em vão. Devem apostar no meu cansaço. Enganam-se.
Só
descansarei quando souber que os responsáveis pela morte do meu filho Mário
foram identificados, indiciados e condenados.
O
assassinato de meu filho e a impotência das autoridades em prender os
bandidos fazem com que eu me envergonhe um pouco mais a cada dia do
meu Estado. Não sou o único e todos os dias casos semelhantes acontecem
ao ponto de ver que o assassinato de jovens tornou-se uma coisa
banal. Por ser corriqueiro e banal já não merece ser investigado com o
intuito de prender os assassinos, pois se prenderem virá o tal do
Direitos Humanos e dirá que precisam de apoio, passarão a mão em suas
cabeças, serão soltos novamente e voltarão a cometer crimes, cada vez
mais audaciosos e tranqüilos, certos de sua impunidade.
É
simplesmente repugnante o abandono, a cumplicidade, a omissão, o descaso
e o silêncio dos órgãos de Segurança e de Justiça. A sociedade
considera inadmissível essa situação.
Vou
continuar escrevendo e cobrando o meu direito, apesar de já fazer isso há
dois anos sem que as autoridades tenham se sensibilizado.
Ainda
tenho esperança de que, um dia, a Justiça será feita. Então poderei
dizer ao meu filho, onde ele estiver: a Justiça foi feita..
Sérgio,
Pai do Mário
A Insensibilidade Continua
em 01/06/2008
*Por Sérgio Gabardo
Nesta quinta-feira, dia 29, é a data que representa a tristeza mais profunda em
minha vida, o pior acontecimento que poderia acontecer na vida de um homem: a
morte de um filho.
É um dia que, se pudéssemos, excluiríamos do calendário: o dia 29. Já se
passaram 32 meses desde que o meu filho Mário foi assassinado de forma cruel e
covarde por pessoas até hoje ignoradas.
São 960 dias, 960 noites em que nos deparamos com essa ausência arrebatadora. A
partir daquele dia, a dor e a saudade passaram a habitar nossos corações e
nossas almas, se transformando em companheiras inseparáveis, amargas.
Começamos a desencadear uma luta incessante por Justiça. Quem esperávamos que
estivesse junto e nos daria um certo conforto, nos abandonou num hediondo
descaso. As autoridades ditas da área da segurança pública demonstraram
insensibilidade invejável até mesmo aos assassinos que ceifaram a jovem vida do
meu filho Mário, com 20 anos.
Além de insensíveis aos clamores dos pais, assinaram atestado de inoperância, já
que o próprio trabalho de investigação foi terrivelmente falho, sem se falar da
questão pericial, que acabou sendo feita quase 24 horas depois, num local
amplamente vasculhado por populares ou sabe-se lá por quem.
Insensíveis, pois jamais se dignaram a receber um pai que perdeu seu filho
amado. O tratamento, não privilegiado, mas justo, jamais aconteceu. Todos
preferem se enclausurar em amplos gabinetes com ar condicionado, secretárias,
cafezinho e toda a pompa. Receber um cidadão comum? Jamais! As decisões
políticas certamente são bem mais importantes, a exemplo da busca de votos.
O que teremos de fazer para que o Estado, como instituição, faça a sua parte?
Pagarmos os impostos e fazermos tudo dentro da lei e da ordem não é o
suficiente? Será que é extremamente oneroso ou politicamente incorreto descobrir
quem foram efetivamente os mandantes e/ou os executores do nosso filho? Seria
esse um pedido grande em demasia?
Viveremos até quando nesta angústia – e como nós existem dezenas de pais na
mesma situação – enquanto essas autoridades, assim como os assassinos do meu
filho dormem todas as noites e participam de solenidades festivas para inaugurar
isso e aquilo?
Inaceitável!
O Estado, representado por suas forças de segurança pública constitucionalmente
constituídas, também para essa finalidade (descobrir a autoria dos
assassinatos), nos deve uma explicação. Queremos sim, saber quem matou a sangue
frio o meu filho. A dor que eu e minha família sentimos é forte demais para que
esqueçamos essa tragédia. Mas essas autoridades podem esquecer, sem que ninguém
cobre nada. É injusto!
Minha voz irá ecoar por este país afora até que as autoridades da segurança
pública ouçam meu clamor. Queremos que a Justiça puna com o rigorismo da
legislação, os verdadeiros culpados. É pedir demais?
Jamais descansarei enquanto esse assassinato não se esclarecer. Devo isso ao
Mário. Estarei presente de todas as formas possíveis para lembrar ao Estado que
eu estou aqui, esperando por justiça e que as autoridades façam cumprir o seu
papel para o qual todos nós, cidadãos de bem, estamos pagando.
Meu filho merece muito mais do que isso!
Sérgio, pai do Mário
Neste dia 9, meu filho Mário completaria 23 anos. Sim, mas sua vida foi
interrompida aos 20 anos, 2 meses e 20 dias.
No dia em que completaria 23
anos, uma nova marca: 1.000 dias desde o seu assassinato, ocorrido no dia 29 de
setembro de 2005.
São 1.000 dias de indignação
com o descaso das autoridades ditas de segurança pública.Como é esperado para
esse dia, as lembranças que envolvem o pensamento dos pais, especialmente da
mãe, deveriam ser as do dia em que ele nasceu, a alegria que trouxe para a
família, suas descobertas, a entrada na escola, o despertar para a adolescência,
a primeira namorada, o início de sua independência. Jamais esquecerei o dia em
que exibiu seu título de eleitor, aos 16 anos, e sua expressão de felicidade ao
dizer-se participante na escolha dos representantes do governo. Mal podia
esperar que esses mesmos representantes o ignorariam quatro anos depois, quando
foi assassinato cruelmente, sem ter o direito, sequer de ver o assassino ser
preso e julgado como, certamente, ele gostaria que acontecesse. Depois entrou na
Universidade, e para cursar Direito. Tamanha era sua vontade de contribuir para
que a justiça sempre prevalecesse! Que outro curso lhe proporcionaria isso?
Infelizmente, seu senso de justiça foi pisoteado, assim como a sua honra em
sentir-se capaz de mudar o rumo da política, ao dizer-se capaz de contribuir
para que tudo ficasse um pouco melhor. A justiça não lhe deu o direito de sequer
levar o assassino para a cadeia; os políticos eleitos, inclusive com o voto
dele, em nada contribuíram para que sua morte melhorasse, um pouco pelo menos, a
segurança de seus familiares e amigos que aqui ficaram.
Ao invés das lembranças de seu
nascimento, o que prevalece é a saudade de não poder dar-lhe o abraço tão
desejado e carente. Ao invés de festa, as lágrimas insistem em aparecer para
anunciar o olhar triste e o coração apertado de tristeza e saudade. Um misto de
indignação, de revolta, de saudade, de certeza de que ele partiu completamente
inocente, sem ter tido qualquer participação para que isso acontecesse.
Covardemente assassinado!
Os dias passam e nada é feito!
Revolto-me a lembrar disso tudo, pois desde o início das investigações,
ocorreram erros gravíssimos e por isso mesmo irreparáveis. Nesse tempo todo fico
a me perguntar por onde andarão as ditas autoridades da segurança pública?
São inoperantes para garantir a
segurança dos cidadãos de bem, e assinam atestado de incompetência quando não
conseguem, seja porque motivo for, descobrir quem foram os mandantes e/ou os
agentes executores do meu filho Mário.
Além do descaso absoluto e
hediondo, ainda demonstram uma insensibilidade inaceitável e horrenda, premiando
a impunidade, e permitindo que esses assassinos continuem à solta, seguramente
fazendo novas vítimas, destruindo outras famílias.
Talvez essas ditas autoridades
da segurança pública apostem no meu cansaço. Mas antecipo que jamais irei
descansar enquanto tiver forças para cobrar um trabalho sério e com resultados.
Não irei esmorecer enquanto essas ditas como autoridades da segurança pública,
não apresentarem os responsáveis pelo assassinato do meu filho Mário, para que
sejam punidas, mesmo que pela "branda" legislação brasileira.
Esses agentes públicos, que
recebem seus vencimentos para executarem tão importante trabalho, me devem isso.
Sou um cidadão cumpridor das minhas obrigações, e tenho o direito de cobrar os
serviços que prestam e para o qual estão ocupando altos cargos, amparados
constitucionalmente.
Meu coração está dilacerado.
Jamais será curado.
E as autoridades, do município,
do Estado e federal, continuam insensíveis, talvez por ordem dos chamados
"chefes de Estado" que devem ter outras prioridades de ordem política. Os
cidadãos de bem ficam relegados a segundo ou terceiro planos... rendem poucos
votos.
Meu filho Mário se foi. E a
impunidade toma conta do país inteiro, enquanto a Polícia anda em círculos e
está desaparecida. Rodo por este Rio Grande afora e não tenho visto Polícia nas
ruas. Os marginais circulam livremente. Alguém de vocês tem visto Polícia nas
ruas, como que a proteger os cidadãos de bem? Se alguém vê, por favor me diga
onde está esta Polícia, que não consigo encontrar em lugar algum.
Não pretendo ser muito extenso,
mas preciso deixar registrada a minha indignação e o meu protesto pela
insensibilidade e descaso inconcebíveis.
E também o meu convite para que
adotemos medidas mais enérgicas para esse pessoal da área dita da segurança
pública. Deixo aqui a minha idéia. Vamos nos reunir no Aeroporto de Brasília,
por exemplo. Quem sabe se todos nós, que somos vítimas da violência e da
impunidade, nos deitemos no solo do Aeroporto de Brasília? Quem sabe assim
poderíamos chamar a atenção da mídia para que todo o país pudesse conhecer o
tamanho do descaso e da insensibilidade desses agentes públicos? Ou talvez
devêssemos fazer isso em frente ao Congresso Nacional, para que a classe
política, que muito pouco trabalha, pedisse providências aos secretários de
Estado da Segurança Pública para que coloquem seus "agentes" a trabalhar com
afinco e determinação?
Não esqueçam!Estou vivendo há
1.000 dias sem o meu filho Mário.
São 1.000 dias de interrogação
sobre o que efetivamente aconteceu com meu filho Mário naquela trágica noite.
São 1.000 dias de descaso
absoluto.
São 1.000 dias de
insensibilidade.
São 1.000 dias de impunidade.
São 1.000 dias de dor intensa.
São 1.000 dias de saudade que
se tornou eterna.
Parabéns, Mário, pela criança
que você foi um dia e pelo homem em que você se tornou. Parabéns pela vida que
você teve, sempre marcada pela justiça, humildade, flexibilidade e muita
sensatez.
Saiba, Mário, que apesar de
seus poucos 20 anos aqui vividos, você foi muito melhor ser humano do que a
maioria dos políticos que governam o nosso país, em especial, os que "comandam"
a segurança pública, com tão mais idade.
Orgulho-me de ser seu pai, sim,
porque o serei eternamente. Vivo na esperança de um dia poder abraçá-lo
novamente e dizer-lhe que consegui lavar a sua honra ao ver o assassino
identificado e preso. Conto com isso para continuar vivendo, Meu Filho.
Sérgio, Pai do Mário

Hoje estou novamente perante vocês, de uma forma diferente: mais dolorida,
perdoem-me.
É que na noite desse mesmo dia 29 de setembro,
exatamente há três anos passados, meu filho Mário foi assassinado de
maneira brutal e covarde. De lá para cá, tenho vivido como em uma
dimensão acima. Parece que os dias passam e eu simplesmente não os
tenha vivido. É como se estivesse “no mundo da lua”, como dizem
nossos antepassados, verdadeiros sábios.
Mário, até então era nosso único filho. Mando
uma foto dele para que vocês possam ver a beleza que era esse
garoto. Exaltava bondade, doçura e alegria. Trabalhava em nossa
Empresa, estudava Direito na PUC e, nas horas de folga, encontrava
tempo para demonstrar o amor e o carinho que sempre sentiu por
nós.Sem inimigos, Mário sempre estava cercado por amigos e colegas.
Todos, indistintamente, o queriam muito bem.
Passado esse tempo, agora, na essência, 36
meses de intenso sofrimento, angústia e desolação porque até hoje,
depois desse tempo todo, não sabemos o que realmente aconteceu
naquela trágica noite com o meu filho, um jovem de apenas 20 anos de
idade.
Ninguém consegue explicar o que
teria efetivamente ocorrido naquela noite de 29 de setembro de 2005.
E o pior: nenhuma das chamadas
autoridades da área da segurança pública consegue apontar quem foram
os mandantes e/ou os agentes executores do meu filho Mário.
É um descaso hediondo, terrível, inaceitável.
Uma falta de vontade política em solucionar o assassinato do meu
filho Mário, sem precedentes na história do Rio Grande do Sul.
Continuam os governantes e os
agentes públicos (cargos indicados politicamente) demonstrando como
única preocupação, a busca de votos.
Impressionante, mas real.
Como vocês são testemunhas, não foram poucas
as minhas manifestações por correspondências eletrônicas, carreatas,
passeatas e outras formas de mobilização, usadas na tentativa de
sensibilizar essas autoridades ditas “responsáveis pela segurança
pública”.
Tudo
em vão. São insensíveis, inabaláveis, inatingíveis
em seus pedestais erguidos e sustentados pelos votos da sociedade.
Chega de impunidade!
A inoperância dessas autoridades está premiando os assassinos com a
impunidade.
Até quando teremos de apenas assistir essa
vitória do mal sobre o bem, com a essencial ajuda do poder público?
Minha dor para essas autoridades de nada vale,
quem sabe porque ostento o poder de um único voto? Indago-me: se
fosse um forte cabo eleitoral, capaz de conquistar inúmeros votos,
será que essa situação permaneceria no “esquecimento” das
autoridades? Certamente que não. Com toda a certeza um batalhão de
profissionais estaria nas ruas atrás de pistas que levassem à
elucidação do caso.
Lamento profundamente.
Continuarei convivendo com a dor imposta pela
saudade e pela ausência de explicações convincentes das autoridades
da segurança pública.
Prosseguirei minha caminhada em busca de
Justiça. Quero apenas que os responsáveis sejam identificados e
punidos como manda atualmente a legislação brasileira.
Deve-se isso o Estado!
Volto a agradecer a compreensão de todos
vocês, que sempre me estenderam a mão e me ofereceram o ombro amigo
para que possa desabafar esta que é a maior agrura da minha vida,
bem diferente do tratamento dispensado a mim por essas autoridades
da segurança pública que ganham altos salários pagos pelo
contribuinte para simplesmente desconhecerem a minha dor. A dor de
um cidadão que paga seus impostos em dia.
Mário Sergio Gabardo
31/12/2008 Fonte:
http://www.cartelbrasileiro.com/
e http://www.tribunadebetim.com/
31/12/2008
Fonte:
http://www.cartelbrasileiro.com/
e
http://www.tribunadebetim.com/

Mário Sérgio
Gabardo, assassinado em 29/09/2005
Estamos no Brasil. Há
39 meses que desabou o mundo do empresário
gaúcho Sérgio Mario Gabardo, dono da empresa
cegonheira Transportadora Gabardo. No dia
29/09/2005 foi assassinado o seu filho único
à época, Mário Sérgio Gabardo, de 20 anos,
que estudava na Faculdade de Direito na PUC,
em Porto Alegre (RS). Apesar da pouca idade,
Mário Sérgio Gabardo, um rapaz muito
ajuizado, inteligente e competente, era
diretor da frota de caminhões cegonheiros da
TransGabardo. Mais do que isso: Mário Sérgio
tinha sido o responsável pela implantação e
desenvolvimento de todo o projeto de
certificação de qualidade da empresa. A
TransGabardo, sob a sua orientação, tinha se
modernizado e todo o transporte passou a ser
monitorado por satélite, com acompanhamento
online via internet pelos clientes dessa
empresa cegonheira. Ou seja, Mário Sérgio
era um diretor estratégico para a empresa
cegonheira. Na fatídica noite de 29 de
setembro de 2005, Mário Sergio Gabardo, teve
a sua vida interrompida. Ele foi assassinado
em Canoas, cidade da Grande Porto Alegre,
onde morava. O assassinato ocorreu por volta
das 21h30, quando ele voltava da
universidade (PUC), em Porto Alegre, onde
tinha realizado uma prova na Faculdade de
Direito. Mário Sergio estava se dirigindo
para um encontro habitual que mantinha com
antigos colegas. Pouco antes de ser
assassinado, Mário Sergio havia feito
compras para o churrasco que faria com seus
amigos. Ao entrar na rua Tomé de Souza, no
bairro Nossa Senhora das Graças, a terceira
via após o acesso à Base Aérea de Canoas, e
estacionar o seu automóvel em frente a casa
onde seria realizado o encontro com os
amigos, Mário Sérgio foi abordado por um
homem que desceu de um carro Ka, de cor
prata, com uma arma na mão. O assassino fez
um único disparo que atingiu Mário Sérgio. O
jovem Mário arrancou o seu veículo em
velocidade, e ao dobrar à sua esquerda,
acabou batendo em uma árvore. Mário Sérgio
foi morto por um tiro certeiro no coração.
Mais um assassinato, mais um crime violento,
na cidade canoense.
Rua Tomé de Souza
no município de Canoas onde foi morto
Mário Sérgio Gabardo
A Polícia Civil do Rio
Grande do Sul, depois de 39 meses da morte
do diretor da TransGabardo, ainda não
solucionou o caso. Os assassinos de Mário
Sérgio até hoje gozam da impunidade. Quem
seriam os assassinos de Mário Sérgio Gabardo?
Hipóteses para o crime foram levantadas na
oportunidade (interesses econômicos) e nunca
comprovadas pelas autoridades de segurança
pública do RS. O empresário Sergio Mario
Gabardo, pai do jovem Mário, diz “que jamais
descansará enquanto esse assassinato não for
esclarecido”.
Email pelo pai do Mario Sergio
Gabardo em 29/12/2008
Senhores:
Mais um dia 29!!!!!!!!!!!
Este marca o final de mais um ano em que costumamos reunir a
família, fazer um balanço sobre o que aconteceu no ano que termina e
traçar planos para o novo ano.
Eis, entretanto, que a minha família não está completa, pois foi
destroçada por assassinos que, impunes, continuam soltos e sem serem
identificados. Meu filho Mário, lá do alto, deve ter a compreensão
de tudo o que lhe aconteceu, mas eu lhe devo a justiça dos homens.
Justiça na qual ele acreditava e fazia uso como ninguém.
Orgulhava-se de ser um homem correto e exigia que as atitudes de
quem o cercava, também fossem corretas. Sua vida lhe foi tirada,
quando recém havia completado 20 anos e se preparava para ser
advogado.
Sua morte até agora foi em vão. Quisera que sua morte, ao menos,
levasse à descoberta de seus criminosos que deixariam de cometer
novas vítimas. Mas, qual nada. Entrou nas estatísticas de crimes
insolúveis.
Minha vida continua, e meu objetivo para 2009 ainda é o mesmo:
descobrir os assassinos do meu filho. Ainda restam dois dias deste
ano para que as autoridades competentes coloquem em seus projetos
para 2009 o de me ajudar a desvendar esse crime que tem consumido
meus dias. Em nome de meu filho Mário eu rogo para que me ajudem e
façam alguma coisa no sentido de esclarecer esse crime.
Assim como o Mário, muitos estão morrendo sem que as autoridades
façam alguma coisa para que isso cesse de acontecer. As famílias
estão sendo destroçadas pela impunidade e pelo descaso das
autoridades. A impunidade prevalece e faz novas vítimas a cada novo
dia. No dia 29/09/2005 foi a vez de meu filho Mário. Quando será a
vez de um filho seu que está lendo esse texto? Sim, porque assim
como eu pensava, você também deve achar que isso não vai lhe
acontecer, afinal assim como eu, você também é uma pessoa de bem,
que paga seus impostos em dia e acredita que se precisar, a justiça
estará do seu lado. Vão engano. Nada disso! A justiça parece não
existir, assim como o poder da polícia. Aliás, nem mesmo os leais
escrivães com suas velhas máquinas de datilografia.
Digo isso, pois para colher os depoimentos de algumas pessoas, após
insistentes solicitações minhas, foi usado um computador de minha
empresa, já que nem mesmo equipamentos havia na delegacia que
assumiu o caso. E não é mérito daquela delagacia apenas. Você já
precisou entrar numa? Sugiro que faça isso num dia de chuva. Os
inspetores de polícia que ainda prezam por essa profissão, o fazem
por amor ao próximo, na tentativa de amenizar a dor de quem, como
eu, foi vítima de bandidos inescrupulosos. Infelizmente, seu
trabalho termina em seguida, pois se conseguirem identificá-los e
prendê-los, será por pouco tempo.
Acima de tudo, entendo que está faltando vontade de muitos políticos
que ocupam cargos sem estarem habilitados para isso. Estão ali para
fazer carreira, pura e simplesmente. Enquanto isso, pais como eu,
amargamos a perda de nossos filhos sem que as autoridades que
deveriam se empenhar em solucionar os casos se dignem a fazer alguma
coisa.
Ainda há tempo!
Sérgio, Pai do Mário

Mário,
um jovem de valor:

Aos
20 anos de idade, Mário Sérgio Gabardo teve sua trajetória de vida
interrompida por assassinos que até hoje gozam da impunidade, fruto da inoperância
das autoridades constituídas do Rio Grande do Sul.
Estudante
de Direito da PUC-RS, Mário falavam cinco idiomas com fluência,
era interessado pelos negócios do pai e da mãe: uma transportadora de
veículos de grande porte. Preparava-se para assumir o comando da Empresa em
janeiro de 2006. Na noite de 29 de setembro de 2005, foi morto quando chegava
para um churrasco de confraternização com amigos de infância.
Extrovertido e
competente profissionalmente, Mário certificou a ISO na da Empresa dos
pais. Trabalhou duro e tomou para si, a responsabilidade de liderar o processo
e levá-lo até o final, que resultou no reconhecimento dos auditores do
BVQI. Tendo a humildade como uma de suas principais marcas, Mário tinha
grande versatilidade para manter contato com colaboradores de todos os níveis.
Claro nas colocações e objetivos, ele conseguia se fazer compreendido desde
o primeiro contato.
Com
um grande círculo de amizades, Mário cativava não apenas os que já o
conheciam, mas também pessoas com quem mantinha o primeiro diálogo. Franco e
amável, sempre demonstrava interesse e vontade de ajudar o semelhante. Nunca
se furtou a estender a mão
Dizia
sempre MEU PAI tem uma frota, eu também vou conseguir uma.

O PAI DO MARIO FALA MAIS UMA VEZ DA
IMPUNIDADE:

Senhores:
Mais um dia 29 se aproxima. Estamos em fevereiro, eu sei, mas, em minha memória
sempre haverá o dia 29.
Seja como for, é mais um mês que passa sem a elucidação do assassinato do meu
filho Mário, permitindo que os assassinos continuem livres, quem sabe, se
vangloriando de seu feito e acreditando que o crime foi tão bem planejado e
arquitetado que ninguém jamais saberá quem o praticou. Mas o universo sabe quem
fez assim como os motivos.
Pretendo, neste mês, escrever um pouco sobre o jeito de ser do Mário, do que ele
gostava e acreditava, tentando, através disso, dar um sentido para sua morte
aliviando um pouco, quem sabe, a indignação e a saudade.
Mário falava pouco, era discreto, não se vangloriava de suas conquistas,
encarando-as sempre com humildade. Para ele, o atingimento dos objetivos era
algo natural e agradecia pequenos gestos como uma comida feita pela mãe, uma
costela de ovelha assada por mim ou um bolo de chocolate feito pela nona (avó).
Apesar de falar pouco, todos que conviviam com ele o questionavam sobre o que
ele pensava acerca de determinados assuntos e surpreendia a todos por sua
clareza e postura diante de cada fato, seu jeito simples de colocar seu
pensamento e por sua firmeza e sensibilidade em conseguir dizer o que se passava
em seu interior sem ferir ou magoar ninguém. Antes, o contrário, todos o
agradeciam e queriam saber um pouco mais. Mário foi assassinado aos 20 anos de
idade, 02 meses e 20 dias.
Mário trabalhava na empresa que ele viu nascer e crescer e estudava à noite. A
função que exercia foi conquistada por ele mesmo, depois de levar a empresa à
conquista do Certificado ISO 9001:2000, por iniciativa própria, aos 18 anos.
Apesar de sua pouca idade, Mário tinha espírito empreendedor e visão de futuro.
Sabia expôr suas idéias e colocava-se aberto para receber críticas e sugestões.
Representar a empresa nos assuntos da qualidade deu-lhe segurança e domínio das
rotinas organizacionais. Sabia usar de persistência e sensibilidade diante de
resistências. Fez-me perceber a importância do Certificado ISO para a empresa e
pude descobrir um homem maduro e capaz de dar continuidade à empresa, aliando
sua irreverência com a calma que lhe era peculiar. E isto estava previsto para
janeiro de 2006.
Mário preocupava-se com a segurança da mãe e comigo. Lia muito e de forma
rápida. Não fazia anotações em suas aulas. Discutia assuntos variados e puxava
minhas orelhas quando percebia que me afastava da família por causa dos
negócios. Valorizava as coisas simples. Cultivava cactus e vibrava quando
aparecia uma nova flor. Sonhava em ter muitos filhos e se encantava com a
espontaneidade das crianças. Dizia que São Miguel era seu protetor. Que ironia!
Foi assassinado no dia em que se comemora o dia de São Miguel, 29 de setembro. O
chaveiro do seu carro continha a imagem de São Miguel e tenho fotos em que ele
aparece em frente a uma imensa imagem de São Miguel. Independente da religião,
São Miguel é tido como o anjo que comandou um exército na luta do bem contra o
mal em defesa de Deus.
Na guerra do bem contra o mal, de acordo com os meus valores e crenças, é o bem
que prevalece. Quando? Não sei. Mas minha luta é diária e qualquer indício que
possa esclarecer a morte do meu filho Mário será encarado como fato a ser
desvendado.
A morte de Mário, ocorrida no dia 29 de setembro de 2005, não poderá ter sido em
vão. Sua ausência deixou um vazio que jamais será preenchido. A vida continua,
mas Mário não está mais seguindo os meus passos. O tempo se partiu. Agora há o
antes e o depois da morte do Mário. Se houve uma razão para sua morte há de
haver uma forma de esclarecê-la. Vou dormir na esperança de que, ao acordar,
perceba que tudo não passou de um pesadelo. Em outras ocasiões, vou dormir na
esperança de encontrá-lo em meus sonhos.
Todas as autoridades, assim como a segurança pública, parecem estar de olhos
vendados ou, quem sabe, anestesiados a ponto de não conseguirem expressar uma
reação, de fazer associações entre os diversos fatos que envolvem a minha vida,
de ligar pontos entre o passado e o presente. Esquecem que outros lideres também
morreram em circunstâncias semelhantes e NADA foi feito. Assim como o caso do
Mário, todas as investigações e processos desses outros líderes, também
resultaram em nada. Tudo está como sempre esteve. Você quer saber se existe
relação entre esses fatos? Quem sabe?
Penso que as autoridades devem uma explicação para a sociedade que perdeu a
pessoa que descrevi acima. Devem uma explicação para mim, seu pai, que pago meus
impostos e cumpro com todas as minhas obrigações. Devem uma explicação à mãe do
Mário, que lhe deu a luz, que o criou em meio a tantas dificuldades e o ensinou
a distinguir o certo do errado em todas as situações. Devem uma explicação à
memória do Mário que nada fez para provocar a ira da morte. Devem explicações à
mulher que daria a luz aos filhos que havia planejado ter. Devem uma explicação
ao universo que precisou inverter a ordem natural das coisas e tirá-lo de
circulação aos 20 anos de idade, antes de sua bisavó, antes de suas avós, antes
de mim.
Senhores:
Espero ter conseguido mostrar quem era o Mário, além de ser meu filho. O que
disse pode ser comprovado pela Diretora do colégio onde estudou, pelos amigos,
pelos colegas de trabalho e, especialmente, pelas pessoas subordinadas a ele,
pois como diz um ditado popular: "se você quer conhecer uma pessoa, dê-lhe
poder".
Continuo minha luta. Estou confiante de que os novos fatos possam fornecer o
caminho para que as autoridades cheguem aos assassinos do meu filho Mário.
Que Deus ilumine a todos!
Sérgio
Pai do Mário
Mais um ano sem justiça!
- 29/01/11 - Estou diante de vocês para manifestar mais uma
vez a minha total indignação. Neste sábado, o assassinato do meu filho Mário
completa 64 meses. São 1.920 dias de sua ausência física. Mesmo período em que
as chamadas autoridades da área da segurança pública levaram para chegar a
nenhuma conclusão quanto aos autores do bárbaro crime.
Tenho vivido esse tempo todo, como é do conhecimento de vocês, numa angústia
assustadora; de uma saudade incrível; de uma dor incalculável por essas
insensíveis autoridades que, entra ano e sai ano, sem que nada, mas
absolutamente nada seja feito para elucidar o crime e punir os responsáveis.
É abominável essa prática das autoridades da segurança pública, de fingir que
não tem conhecimento do assunto, optando pelos rendimentos eleitoreiros,
condenando o cidadão de bem, que paga regiamente a sua vasta carga tributária, a
viver sem saber o que realmente aconteceu com o próprio filho.
Mário foi morto na noite de 29 de setembro de 2005 (é isso mesmo: 2005), quando
se dirigia a uma confraternização com amigos de infância, na cidade de Canoas,
ao lado da capital gaúcha. E as investigações (?)
Por conta desse descaso hediondo, tenho sido condenado a viver dia após dia com
essa intensa dor. Uma dor que aperta meu peito, faz sangrar meu coração e me
leva às lágrimas aleatoriamente, a qualquer hora do dia, da noite, da
madrugada...
O tratamento dispensado ao caso do assassinato do meu filho Mário por essas
chamadas autoridades da segurança pública chega a me causar arrepios. Penso
sistematicamente que se fosse o filho de uma dessas autoridades, certamente os
autores já teriam sido identificados e encaminhados ao Poder Judiciário para que
pagassem pelo crime que cometeram. Mas sou apenas mais um cidadão comum, como
tantos outros que enfrentam situação idêntica: não sabem o que ou quem ceifou a
vida dos seus filhos.
E parece que essas autoridades desejam mesmo é que tudo fique por isso mesmo.
Caia no esquecimento e que, cada assassinato sem solução, passe apenas a
engrossar a extensa lista dos crimes insolúveis, tratando o caso do meu filho
Mário e de outros pais, simplesmente como mais um na estatística criminal que
tanto nos assusta.
Essas autoridades acreditam, ainda, que o descaso poderá me levar ao cansaço.
Enganam-se. Enquanto tiver forças, estarei cobrando o que me é de direito: saber
quem matou ou quem mandou matar meu filho Mário, um jovem de 20 anos que não
tinha envolvimento com nenhuma atividade ilícita. Um garoto, já um homem, de
bem. Sim, um homem, porque trabalhava, tinha responsabilidades como poucos de
sua idade, fazia Direito na PUC/RS, tinha uma namorada com quem planejava se
casar e, dizia: "quero ter muitos filhos". Numa crítica a mim por não ter-lhe
dado irmãos.
Vou continuar bradando aos quatro ventos até que encontre pelo menos uma dessas
autoridades com sensibilidade e apreço pela vida humana, que não se deixe
corromper, que tenha em si, o sentimento de um Pai, e que possa debruçar-se
sobre o caso, a fim de que os verdadeiros culpados por esse assassinato
inaceitável, cruel e descabido, seja esclarecido, levando seus responsáveis às
barras da Justiça.
Não desistirei até que meus clamores sejam atendidos. Não estou pedindo nada de
extraordinário, e sim, exigindo um direito meu, um direito inalienável de Pai. O
Estado me deve isso!
Sérgio
Pai do Mário

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