Fátima de Jesus Agostinho

 

 

Fátima de apenas 22 anos era Chefe de Produção em uma cozinha industrial, trabalhava no turno da noite e durante o dia cuidava dos seus afazeres domesticos e do filho William de apenas 4 anos na época. No dia 02 de abril de 2007, uma segunda feira ela estava em sua casa na Rua Cassiano Ricardo - Vargem Grande - Pinhais, quando um homem entrou com intuito de roubar, mas ao ve-la deciciu por também cometer estupro. Ele a agrediu violentamente, estuprou e matou com 8 facadas, usando para isso duas facas, pois uma delas quebrou no peito da jovem, tal a violência dos golpes. Após roubar apenas um celular, pois tratava-se de pessoa simples e trabalhadora com poucos bens de valor, ele saiu tranquilamente.

Às 18:30 h o corpo da jovem foi encontrado caido ao lado da cama, completamente nu. A polícia de Pinhais logo começou a investigar e encontrou uma testemunha que afirmou ter visto um homem com uniforme da Secretária do Meio Ambiente saindo da residência da moça mais ou menos no horário que se estimava ter ocorrido o assassinato. Descobriu-se que haviam 42 homens trabalhando na limpeza e conservação para a Prefeitura de Pinhais próximo ao local no dia do assassinato, estes homens eram detentos do Presídio Colônia Agrícola de Piraquara (CPA) que estavam em regime de semi-liberdade, mas trabalhavam praticamente sem supervisão, pois eram 42 detentos para um agente apenas cuidar. Dois deles se evadiram do trabalho e foram num bar próximo beber, mas um deles, de nome José Luciano de Moura - 32 anos, resolveu que além de beber iria roubar algumas casas. Ele cumpria pena por roubo, assalto e estupro. A polícia levou a testemunha ao local onde estavam os detentos, mas esta disse que o homem que ela viu saindo da casa não estava entre os trabalhadores naquele dia 03/04, então o agente que cuidava dos detentos mostrou os retratos dos que estavam trabalhando para a Secretaria e a testumunha reconheceu um deles, o agente disse que o mesmo não havia comparecido para o trabalho porque havia se machucado trabalhando no dia anterior. A polícia encontrou as roupas ensaguentadas que ele usou no dia anterior escondidas em um armário na Secretária do Meio Ambiente e também o celular da jovem, que ele já estava tentando vender para outros detentos. No presídio foi constatado que ele estava com a mão machucada devido a violência dos golpes aplicados, também arranhões e ferimentos provocados pela jovem ao tentar se defender. Ele foi julgado e condenado a 29 anos de prisão. Mas a Jovem Fátima tinha um filho que dependia dela, com 4 anos na época do crime. A avó, mãe da Fátima assumiu a tutela do menino, mas com grande dificuldade, por tratar-se de pessoa com poucas posses e que trabalha em uma residência como secretária do lar. Como o Estado do Paraná é responsável pelos detentos em regime de semi-liberdade que prestam serviços fora do presídio, cuidando para que eles não se aproveitem deste benefício recebido para se evadir e cometer outros crimes, foi iniciado um processo de indenização em favor do menino, processo este que corre na 2º Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas - Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba até hoje, ou seja 7 anos sem uma solução. O estado além de não garantir a segurança do cidadão, quando coloca estes marginais em regime de semi liberdade sem supervisão, deixa de cumprir seu papel mais uma vez, ao ficar enrolando para garantir ao menos um futuro melhor para este menino que perdeu a mãe por sua culpa e negligência.

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