João Roberto Amorim Soares

O menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi baleado no dia 06/07/08 na Tijuca, quando policiais militares metralharam o carro de sua mãe, a advogada Alessandra Soares e morreu às 20h10 do dia 07/07/08. De acordo com testemunhas, o carro teria sido “confundido” por policiais com um veículo usado por criminosos em fuga. Pelo menos 20 disparos teriam sido feitos, sendo que um acertou a criança na cabeça e dois atingiram a mãe, na perna e na barriga. O tiroteio aconteceu a duas quadras da 19ª Delegacia de Polícia. As vítimas foram socorridas no Hospital do Andaraí.Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar (Tijuca) contaram que perseguiam um carro ocupado por bandidos armados, que seguiam em direção ao Morro do Cruz. Houve intenso tiroteio e os disparos acabaram atingindo o veículo em que estavam as vítimas. João Roberto teve a morte cerebral confirmada à tarde, mas era mantido ligado a aparelhos porque sua família havia autorizado a doação de seus órgãos. Quando o Rio Transplante constatou que apenas as córneas da criança poderiam ser transplantadas, os pais do menino e amigos, foram à UTI se despedir de João Roberto. Um pastor fez preces diante de todos e, logo em seguida, os aparelhos que ainda mantinham João Roberto vivo foram desligados, na frente de sua família. De acordo com o chefe da pediatria do Hospital Copa D'Or, Arnaldo Prata, a criança tinha menos 5% de chances de sobreviver. Revoltado, o pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, desmentiu a versão de que havia um tiroteio no momento em que João Roberto foi baleado. Ele negou que o carro de sua família estivesse no meio de um fogo cruzado, como afirmou a polícia. Vestido com a roupa do Homem-Aranha, o corpo do menino João Roberto foi enterrado no Cemitério do Caju, Zona Portuária. Cerca de 300 pessoas - entre parentes, amigos, vítimas da violência e integrantes de ONGs - compareceram ao enterro. Após o sepultamento, integrantes do Movimento Rio de Paz soltaram um balão vermelho, em homenagem ao menino. Eles também carregavam duas faixas. Uma delas dizia "João Roberto - 3 anos - tragédia anunciada" e a segunda trazia estatísticas de homicídios no Estado entre 2000 e 2007 e projeções para 2008.

 

O cabo William de Paula, acusado de matar o menino, João Roberto, 3 anos, na Tijuca, foi absolvido pelo crime de homicídio doloso, por quatro votos a três, em julgamento no dia 10/12/2008 no 2º Tribunal do Júri. Ele foi condenado por lesão corporal leve contra a mãe e o irmão do menino a sete meses em regime aberto, mas a pena foi convertida para prestação de serviços comunitários por 1 ano.

 

O desabafo do pai Paulo Roberto Soares: “eu sou cidadão de bem, eu pago meus impostos, eu estava trabalhando pra isso... Eu não posso pagar por essa sociedade podre que eles construiram... eu sou uma pessoa de bem... é isso que eu sou...”. 

 

O Ministério Público recorreu e, em 2009, a Justiça anulou a sentença, determinando que o acusado fosse levado a novo julgamento pelo Tribunal do Júri. O denunciado Elias Gonçalves recorreu da sentença de pronúncia. Com isso, o seu processo foi desmembrado e ele será julgado pelo 2º Tribunal do Júri.

 

Em agosto de 2011 O Estado do Rio foi condenado a indenizar a família (pais, irmão e avós) do menino em um total de R$ 500 mil, além de ressarcir as despesas com o funeral e o sepultamento do corpo. Também deverá ser pago aos pais o correspondente a 2/3 do salário mínimo mensal no período em que a vítima teria entre 14 e 65 anos e uma quantia mensal correspondente a dez salários mínimos até junho de 2012, quando decorridos cinco anos do evento.

 

O julgamento do soldado Elias Gonçalves da Costa Neto que acompanhava o cabo William, e é acusado de matar o pequeno João Roberto Amorim Soares, foi realizado no dia 24 de novembro de 2011, no 2º Tribunal do Júri, às 13 horas. O ex-policial militar Elias Gonçalves, acusado de matar em 2008 o menino João Roberto Soares, foi absolvido na noite de quinta-feira (24/11/2011), em julgamento no 2º Tribunal do Júri, no Centro do  Rio de Janeiro. Ainda cabe recurso à acusação. A decisão foi dada pelo júri popular, em sessão iniciada nesta tarde, e lida pelo juiz Jorge Luiz Le Cocq D'Oliveira, do 2º Tribunal do Júri, por volta das 21h50. Os pais de João Roberto deixaram o local antes do resultado.

 

Por Sandra Domingues com informações do G1, Terra, O Globo e o Dia

 

 

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